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quinta-feira, 24 de março de 2016

Que é a escola?

Qual seria a escola que você gostaria de estudar ou ter estudado?
 Manual de Educação e Ensino

Provavelmente, essa seja uma pergunta que gere muitas posições e controvérsias. Então, vamos tomar como partida para esse texto, um comentário extraído da internet:
A escola é uma instituição concebida para o ensino de alunos sob a direção de professores. A maioria dos países têm sistemas formais de educação, que geralmente são obrigatórios. Nestes sistemas, os estudantes progridem através de uma série de níveis escolares e sucessivos. Leia mais em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola
Na teoria, essa afirmação é bastante pragmática. Define muito bem o que é a escola: um lugar onde se ensina e se aprende. De fato, tudo poderia ser simples assim.

Porém, em nosso dia a dia em uma escola, seja um aluno ou um professor, experimentamos algo totalmente diferente do que se prega acerca da escola.

Talvez, você possa me perguntar: em que sentido?

Deixe-me explicar: Compreendo que, embora haja bastante interesse por parte de professores e gestores de escola, há também uma lacuna muito grande em sua gestão política-administrativa.

Por exemplo, não há, de maneira mais concreta, um currículo de ensino que possa envolver todos os estados da Federação em um posicionamento unificado que contemple a base e o necessário para que todo aluno tenha uma aprendizagem significativa e estrutural, de modo que, este, caso seja transferido para qualquer região do país, não encontre dificuldades em seu processo de aprendizagem. Claro, respeitando os valores culturais de cada região.

Mas há outra consideração a ser feita: Será se o ensino médio não difere consideravelmente do ensino fundamental? Em caso afirmativo, não seria interessante que se pensasse esses dois níveis de ensino sistemático, partindo de perspectiva que fosse direcionada para cada nível em especial?

No entanto, compreende-se que esse planejamento pedagógico deveria nascer no seio da escola, em que todos os envolvidos, direta ou indiretamente, pudessem expressar de maneira atenciosa e respeitosa seu posicionamento acerca da construção de uma escola que seja o anseio da grande maioria.

Não se pode pensar a educação de maneira isolada. Não se pode pensar a escola onde os alunos, os professores, os gestores e a comunidade em geral envolvida em seu contexto, não tenham liberdade de expressão.

É possível construirmos uma escola diferente, desde que se dê voz a todos que, de fato e de verdade, constroem a escola e a educação deste país.

É possível pensar uma escola onde todos tenham prazer em estar numa sala de aula.

É possível se pensar em uma escola pública que seja o orgulho de nossa gente. Bastam apenas decisões políticas sábias e participação solidária da comunidade civil desta grande Nação Brasileira.

Qual a escola que desejamos construir e deixar para nossas gerações futuras?

Um grande abraço!

Professor Rivaldo Neri

Se desejar conhecer um pouco mais de nosso posicionamento acerca desse tema, leia o livro, “MANUAL DE EDUCAÇÃO EENSINO”, organizado pelo professor Alexandre Vieira, com minha participação no capítulo, 4, Educação Brasileira. Acesse o livro aqui:



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O professor

Certa vez um aluno perguntou ao seu professor por que ele era tão exigente em suas aulas.

O professor fez um breve momento de reflexão, e, após uns poucos instantes, devolveu a pergunta ao aluno:

Por que você é tão questionador em nossas aulas?

Dessa vez, foi o aluno que fez uma pequena pausa para responder. Mas bem decidido, respondeu ao seu professor:

Ah! Professor, talvez porque aprendi que uma pessoa que faz perguntas aprende mais.

E você se considera um aluno que tem sempre aprendido um pouco mais – pergunta-lhe o professor.

Talvez sim, professor. Penso que todos os dias tenho aprendido um pouco mais.

Muito bem, e a quem ou a que você atribui o seu sucesso na escola?

Ah! Primeiramente, ao incentivo de meus pais e a implicância deles comigo para que todos os dias eu vá à escola. Depois, porque, apesar de muitas vezes ficar zangado com eles por essa insistência de eu ir à escola, entendi que é na escola que eu posso pensar em ter um futuro profissional de sucesso.

Percebe-se que você é um garoto inteligente e que formula bem o seu pensamento. Você fala muito bem, sabia?

Ah! Obrigado professor!
Você gosta de ler?
Se gosto de ler...!? Eu devoro livros!
E qual a disciplina de que mais você gosta?

Professor, não sei dizer exatamente, mas de uma coisa eu sei: quando me sinto desafiado, aí eu dou tudo de mim e, ainda que eu não goste muito da disciplina, e não vá muito com a cara do professor, eu tento mostrar, primeiramente para mim, que sou capaz de sempre ir mais além. Depois, para que os outros também reconheçam o meu valor. Se outros conseguiram, por que eu não posso também conseguir?

Meu rapaz, agora vou lhe responder a sua pergunta inicial: por que sou tão exigente em minhas aulas.

Primeiro, porque acredito no potencial de meus alunos. Segundo, porque tenho compromisso com a educação de minha gente, pois também sou o responsável direto ou indireto pelo sucesso ou fracasso desta nação. De modo, que, acreditando em meu aluno e cobrando dele sua responsabilidade, não somente contribuo para o seu progresso, como também estou contribuindo para o desenvolvimento do país. Afinal, você hoje de 13, 14, 15 anos de idade, de uma maneira ou de outra, é quem vai conduzir esse imenso país daqui a alguns anos. Se até lá, você estiver bem preparado, talvez tenhamos um nação ordeira, sustentável e progressista.

Poxa, professor! Assim o senhor está colocando uma carga muito pesada sobre nossos ombros. Veja, só tenho 13 anos. Não tenho que ficar me preocupando com coisas de adultos...

De fato, meu pequeno jovem... – interrompe o professor – hoje, a responsabilidade é nossa: nós, que fazemos a sua escola, seus pais, os adultos de hoje. Cabe a nós esta honrosa missão, muitas vezes árdua, de ensinar as nossas crianças e adolescentes valores éticos e morais que os ajudem a crescer com dignidade e respeito, para que, no futuro, possam dirigir essa nação com hombridade.

“Hom bri da de”! Que palavra é essa, professor?
Hombridade significa:  Dignidade, nobreza de caráter..., Altivez louvável.

 É, professor, é difícil para nós, entender tudo isso. Afinal, o que queremos mesmo é ser livres. Ter o direito de escolhas. Ser o dono de nossas ações. Por outro lado, reconhecemos que tudo o que fizermos agora vai refletir em nossa vida mais à frente.

Meu caro menino, você agora falou como pessoa adulta! Talvez assim agora fique mais fácil para que eu possa fazer que você e seus colegas aqui presentes possam entender o porquê de nossa exigência. Ainda que hoje o aluno nos ache “chatos”, nossa esperança é que no futuro ele possa compreender o porquê de tudo isso.

Ei professor, esse porquê que o senhor usou é junto e com acento, não é isso?

Muito bem, Romualdo, acertou na mosca!

E a aula prossegue...





Rivaldo Neri – graduado em Letras, com pós-graduação em Docência do Ensino Superior, professor da Secretaria de Educação do Distrito Federal e cursando o 10º semestre do curso de Psicologia. Exerceu a profissão de radialista de 1985 a 2000.

domingo, 24 de janeiro de 2016

AMOR

Era uma escola conhecida por a grande violência que lá existia. Nessa escola havia um jovem muito dedicado, que, não tendo outra escolha, tinha de estudar ali. Seus pais não tinham condições financeiras de colocá-lo em uma escola particular. Mas para esse aluno, tudo bem. Ele queria mesmo era estudar.


Acontece que esse garoto era muito perseguido. E sabem qual o motivo dessa perseguição? Simplesmente porque gostava de estudar. Era esforçado.
Certo dia, alguns colegas de classe resolveram “tirar uma onda”, na linguagem deles, com o aluno que gostava de estudar.

No intervalo, reuniram um grupo de aproximadamente 14 meninos, sendo que três tomaram a frente, e espancaram muito aquele garoto. 

Espancaram tanto que o pobre rapaz fora hospitalizado. No hospital, sua mãe clamava muito: "Meu Deus, ajude o meu menino. Não o deixe morrer".

Pela graça de Deus, aquele bom menino se recuperou. Depois de alguns dias, com a mesma determinação, voltou para a escola.

No primeiro dia, após sua volta, alguns outros alunos, indignados com o que lhe acontecera, disseram: Você sabe quem lhe bateu? – Sim, jamais me esquecerei. – Então vamos pegar eles agora e dar-lhes uma tremenda surra. Vamos vingar o que eles lhes fizeram.

O jovem rapaz até que, por um breve momento, sentiu o desejo de aceitar a ajuda de vingança. Mas uma voz no fundo de seu coração lhe dizia: “Não, entrega isso a Deus”.

Assim, aquele bom rapaz fez. Agradeço-lhes a ajuda, meus amigos! Mas creio que essa não é a melhor coisa  a ser feita. Violência sempre vai gerar mais violência. Muito obrigado! Farei diferente.

Após alguns dias, esse jovem deliberadamente resolveu criar um grupo para uma atividade de “Não a violência na escola”. A princípio, poucos alunos se juntaram a ele. Mas ele continuou seu trabalho persistentemente.

Os dias foram se passando, e outros alunos foram se juntando ao pequeno grupo. Já não eram apenas cinco pessoas, mas agora já passava de 15 alunos com o mesmo objetivo.

Aos poucos aquele grupo foi contagiando além dos alunos, professores, servidores, diretores, e muito mais alunos. Agora o grupo já contava com cerca de 150 pessoas diretamente envolvidas.

Mas o mais importante ainda estaria por vir. Certo dia, um aluno que era extremamente violento resolveu que também faria parte daquele grupo. Vocês até já podem imaginar quem seria esse aluno. Isso mesmo, o aluno que primeiro lhe desferiu um soco quando o líder desse grupo de Não a violência sofrera aqueles maus tratos.

O aluno chegou muito envergonhado ao grupo. Cabisbaixo, ele disse: “Sinto-me muito envergonhado. Eu agi como um louco. Obrigado por não ter me delatado ao diretor. Por favor, deixe-me fazer parte desse grupo”. O jovem garoto de bom coração o aceitou prontamente.

A grande moral dessa história é que o perdão e o amor são as melhores armas para vencermos os nossos inimigos. Esse garoto foi extraordinário. Com muita dignidade, humildade e amor ao semelhante, ele conseguiu uma verdadeira transformação naquela escola.

Hoje a realidade daquele Centro de Ensino é outra. Tudo isso porque alguém amou ao próximo.

Um grande abraço!


Professor Rivaldo Neri